Adolescência... Como devem as famílias (re)agir? - Célia Lopes e Pedro Rijo

No dia 29 de maio, pelas 21 horas, os psicólogos Célia Lopes e Pedro Rijo, do Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) do Agrupamento, dinamizaram uma ação de sensibilização dirigida à comunidade escolar, em especial às famílias. O evento foi organizado em parceria com a Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades. Este tema reveste-se de extrema importância considerando que muitos dos nossos jovens estão em claro sofrimento psicológico e há sinais de alerta que não podemos descurar.

 Há mais de um ano que vivemos em pandemia. Os impactos desta situação sentem-se em todo o mundo e, para muitos jovens, a COVID-19 teve um impacto forte na saúde psicológica e no bem-estar, criando ainda mais incertezas quanto ao futuro. Os adolescentes podem ter dificuldade em lidar com as mudanças físicas e emocionais pelas quais passam. É normal terem problemas, de vez em quando, e expressarem emoções como zanga, tristeza ou frustração.

Para que se possa minimizar o risco de ocorrerem problemas ou pontos de rutura torna-se fundamental a existência de suportes sociais como a família, o grupo de amigos e a escola. No entanto, quando alguns sinais são intensos e duram há várias semanas, interferindo com a capacidade de o adolescente fazer o seu dia-a-dia e atividades habituais, pode significar que está com problemas e precisa de ajuda. Acima de tudo, é muito importante estarmos atentos! Os pais e os professores percebem quando acontecem alterações no comportamento dos seus filhos/alunos.

Na webinar foram abordados os sinais de alerta, que podem ajudar a identificar a existência de problemas nos nossos jovens, tais como: comportamento agitado; perda ou ganho súbito de peso; diminuição do desempenho escolar e/ou absentismo escolar; dificuldades de concentração; sentimentos de tristeza duradouros; ansiedade e preocupação intensas e persistentes; irritabilidade sem razão aparente; sentimentos de medo ou impotência; desinteresse e desmotivação; isolamento social; cansaço, perda de energia e falta de interesse pelas atividades habituais; baixa autoestima; dificuldades em adormecer e/ou em dormir bem; dores de barriga ou de cabeça frequentes sem explicação física; agressividade contra si próprio ou contra os outros (ex.: automutilação, envolver-se em lutas ou ter ideação suicida); mudanças bruscas de humor; comportamentos de risco como ingestão abusiva de álcool e/ou drogas. É importante referir que estamos a falar de situações que se manifestam há várias semanas e não apenas uns dias.

Ao longo da formação, foram abordadas situações específicas que acontecem com maior regularidade, como é o caso da ansiedade, a baixa autoestima, os problemas de dependência (álcool, tabaco, telemóveis…), a perturbação do sono e os comportamentos autolesivos. Foram mencionadas algumas estratégias de como devem as famílias (re)agir: manter a calma, mostrar interesse por aquilo que o jovem pensa e sente, dando-lhe espaço para a partilha; a importância das rotinas: tentar ir para cama e acordar mais ou menos à mesma hora, todos os dias da semana; desligar os ecrãs (do telemóvel, tablet, computador ou TV) pelo menos 30 minutos antes de ir dormir; evitar ingerir doces ou bebidas açucaradas (funcionam como estimulantes neuronais). Tornar a comunicação mais eficaz dentro da família é importante para que o adolescente se sinta seguro, valorizado e confiante.

Muito mais haveria para dizer, mas concluímos referindo que devemos incluir nas nossas rotinas atividades para além dos écrans. Não esquecer que é fundamental planear o que gostaríamos de fazer quando acabar a pandemia e, desta forma, darmos esperança sobre o futuro (negociar os planos da família).

O balanço da webinar foi positivo, apesar da pouca adesão dos encarregados de educação. No entanto, durante uma hora e meia, tivemos momentos muito agradáveis de partilha e troca de opiniões. Acreditamos que, a pouco e pouco, conseguiremos um maior envolvimento das famílias! Não se esqueçam que um psicólogo pode ajudar, mas os nossos jovens precisam de se sentir amados e seguros… no seio da sua família.

Célia Lopes e Pedro Rijo