"Hip hop «tuga» - História do RAP em Portugal"

"Hip hop tuga - História do RAP em Portugal"

Há muitas histórias que pontuam o crescimento da cultura hip-hop em Portugal, uma viagem que recua à “Rapública” e chega ao presente, no momento em que discos de hip-hop portugueses conseguem ocupar o primeiro lugar da tabela de vendas nacional.

Na década de 80, o fenómeno do breakdance alastrou-se a todo o planeta, por via de filmes de Hollywood, como “Beat Street”, https://youtu.be/7bYXW4x7RXk . O público português também se rendeu a estes filmes, e ainda nos anos 80 houve a formação de uma série de crews de breakdance no nosso país. Contudo, o rap começou-se a despontar através de cassetes, sendo que, no início dos anos 90, estavam bem implantadas entre nós as sementes de um movimento que haveria de ganhar contornos definidos com a edição em 1994 do EP de estreia de General D (https://youtu.be/lnx5_ld4C0w) e sobretudo da compilação “Rapública”, que colocaria no mapa uma série de protagonistas do movimento, ainda hoje ativos. É o caso de Boss AC (https://youtu.be/6ebNiutgy), Melo D, D-Mars e dos Black Company (https://youtu.be/VP8cDAzAyRY) responsáveis pelo primeiro êxito do “hip-hop tuga”.

“Sem Cerimónias”, álbum de Mind Da Gap (https://youtu.be/Ll-lCCcVxCk) , terá sido o primeiro registo nacional criado com as condições certas, num estúdio bom, com acesso a um engenheiro de som americano. O trajeto dos Mind Da Gap acabou por ser importante por ter aberto as portas de uma nova escola, decididamente portuense, que viria a dar ao país uma série de grandes nomes, dos Dealema, que prosseguem no seu caminho, a nomes mais recentes, como Deau ou Keso.

No final da década de 90, houve o lançamento do programa ‘Repto’, de José Mariño. Aqui passaram, por exemplo, as primeiras maquetes dos Mind Da Gap e de todos os futuros protagonistas deste movimento. Com um circuito próprio de espetáculos e de distribuição das mixtapes, o movimento hip-hop ganhou força e, em 1999, deu-se outro passo crucial na evolução até ao presente: a edição do primeiro álbum de Sam The Kid, “Entre(tanto)” (https://youtu.be/x4EXFazSNHo) .

No início do século XXI, com os media mais atentos, Chullage, lançou em 2001 “Rapresálias”, na primeira editora de hip-hop nacional, a Lisafonia.

O período de transição para o novo milénio foi decisivo na caminhada do “hip hop tuga”. Foram derrubadas as barreiras, no que à atenção dos media diz respeito, que assistiram à chegada de artistas como Sam The Kid ou Boss AC aos palcos principais dos festivais de verão. Terão sido, igualmente, os anos da massificação, com a chegada à era da série ‘Morangos com Açúcar’.

Outro importante protagonista desta era é Regula, pioneiro do rap mais comercial, que serviria de inspiração para a geração que nos últimos anos finalmente colocou o hip-hop português no topo da pirâmide de streamings. Foi ele que, através da Superbad, despontou novos talentos, como Here’s Johnny ou Holly Hood.

Vinte anos depois do arranque de uma discografia hip-hop em Portugal, os catálogos das principais editoras continuavam estranhamente impermeáveis aos talentos que este género ia inundado na nossa música. Daí que a estreia dos 5-30 no catálogo da Warner tenha sido uma surpresa e, potencialmente, o gesto que finalmente abriu as portas a um género que não se tem cansado de oferecer clássicos à memória musical nacional.

Em 2015, Carlão (https://youtu.be/gJ-XA7L0Q2w) reclamou um novo espaço no panorama nacional, que começava, definitivamente, a agitar-se. Nesse mesmo período, Portugal assistiu, impávido e sereno, à imposição de uma visão feminina do mundo por parte de Capicua (https://youtu.be/p0rvPVDnZD4) .

Ao mesmo tempo que as editoras foram finalmente abrindo espaço nos seus catálogos a jovens artistas vindos destes terrenos, continuam a existir nomes que preferem trilhar o seu próprio caminho, sem esses amparos mais corporativos. Piruka e Slow J (https://youtu.be/-IPXTwSq4cM) são exemplos disso.

Resumindo, houve um longo processo para que neste momento qualquer português já tenha, pelo menos uma vez na sua vida, ouvido falar de rap.

Bruno Pereira – 12º B